Pular para o conteúdo principal

Postagens

Inside

  Percebo que passo algum certo tempo olhando para o céu, seja de dia ou de noite, pensando e me perdendo, contando e guardando segredos. Se resume um pouco a isso: a felicidade solitária, um momento próprio. Ler ou aprender alguma coisa e ter meu tempo de associação; como aquele em que me encontro olhando para o teto do quarto antes de dormir, ou como o meu eu perdido nas linhas do azulejo. Há pessoas que me chamam "maluca", "doida", por dar valor à algumas pequenas coisas - que para mim têm extrema importância -, um por do sol ou um sorriso, abraços, expressões, olhares, manias, jeito de andar e falar: coisas que mostram com quem lido, com quem convivo. Percebo certo câmbio em minha personalidade - coisa que não acontece com frequência - desde que voltei ao Brasil. É como se, ao olhar para trás, pudesse ver várias pessoas em mim e que cada uma contribuiu exclusiva e fundamentalmente para eu me tornar o que sou hoje. Compartilho aleatoriamente meus pensamentos nest...

Quando meu inconsciente se encontra livre pra narrar.

1. Do fim para o começo. Na casa de tia Marlene, Deus apareceu numa forma humana almejando a perfeição. Essa forma humanesca estava corrompida, uma vez que não tinha uma metade das costelas - aquela usada pra compor Eva. Deus não contava com a existência do robô que habitava a casa da tia, e esse robô, no mister de suas funções, decidiu pela lógica arrumar o ser "humano" que tinha aparecido. Prosseguiu tentando colocar sorrateiramente a costela de volta ao Deus, sob seu manto, até conseguir enquanto o distraía com conversas frívolas. Ocorre que, obter a coluna de volta, implicaria no desfazimento de suas obras, e Deus não queria aquilo, pois era um ser perfeito. Então, num paradoxo,  o êxito do robô fez com que  Deus alcançasse a imperfeição por se tornar um ser inteiro. Com isso, o Deus entrou em choque e o robô conseguiu trançar seu cabelo, como que numa imobilização (à lá Sansão), e o jogou sobre o telhado da casa, a fim de oculta-lo. Deus foi reduzido a uma espécie de gos...

Breve nota sobre uma quinta-feira.

Um rapaz corria na rua, catou uma pedra e jogou no portão. Não viu ele a mancha que tinha no asfalto, as pessoas de carro ou os clientes na lanchonete da esquina. A mancha é um cãozinho atropelado há semanas; as pessoas de carro, numa discussão por motivo fútil; os clientes comendo batata frita. Mas o rapaz não ligou para nada disso, uma vez que sequer os notou, queria ele apenas se livrar do estresse do trabalho, correr sem pensar mesmo - tanto que jogou a pedra - e só parar quando a música no fone acabar. O rapaz tinha lá seus 20 e poucos anos, trabalhava se segunda à sexta, estudava à noite e jogava bola nos finais de semana. No auge da vida, mal começou ser adulto, não tinha planos concretos para o futuro. Porém o que importa? O dono da casa qual ele jogou a pedra no portão não apareceu para reclamar e tão pouco isso tinha acontecido, o rapaz já estava há quadras dali.

Tempo, seja meu amigo

O dia nasce feliz, mas não nós por termos que acordar cedo. Anda tudo tão corrido que, me pego dizendo não ter tempo ao tempo. Mas como não ter tempo? Temos 24h todos os dias e ainda assim é insuficiente. VINTE E QUATRO horas. Pego-me pensando no que a contagem do tempo significa, ao final muita coisa e nada. Tempo é unidade de medida, é prazo, estações, divisão em meses, horas, minutos, segundos, dias que passam rápido e dias que passam devagar. A cada tecnologia inventada para facilitar a vivência do ser humano, perde ele algo intrínseco ao seu ser, como o olho-a-olho ou mesmo, para quem não é da área, o contato com os números. Vamos nos cercando de modalidades de aparelhos, equipamentos, acessórios, e perdendo, com o tempo, saberes, humores e o próprio tempo. "Tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido." Enquanto aqui escrevo, suprimo meu sono, numa tentativa de elucidar minha mente e expô-la a mesmo ninguém, pois afinal, com tantas redes sociais, quem é...