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De janeiro a janeiro

Às vezes paro e penso: o que estou fazendo aqui? Eu estou na Bolívia, como você já deve saber, fazendo medicina. Sim, uma dose de loucura me subiu à cabeça e resolvi apostar nesta ideia. É incrível como as coisas mudam: mudei meu cabelo, mudei de casa, de cidade, de país e estou fazendo faculdade! Vivo na correria de segunda à segunda, estudo uma matéria e enquanto descanso estudo outra e, assim, não percebo que a semana termina outra vez. Durante os intervalos das aulas paro na janela e observo o tempo, tão calmo que com pouco mover e muito pensar, minha mente volta à minha terra natal, à terra onde vivi e ao coração das pessoas que conquistei. Conquistas! Vivi pouco mas mesmo assim já tenho histórias para contar. Não são grandes coisas, tampouco têm valores reais (que dirá bolivianos! hahaha), mas para mim são mais do que pegadas, são traços que compõem a minha história. Foto tirada por mim, dona do blog, em meados de fevereiro ou março de 2011.

O que acontecerá quando eu abrir os olhos?

É estranho o fato de eu não saber o que fazer. Eu apenas  tenho esboços de motivos do que e de como fazer as coisas a partir de agora. É como se eu estivesse de mãos e olhos atados, tudo o que quero e que penso não estão exatamente ao meu alcance, é um caminho sem volta do qual eu desconheço quase todo o percurso. Consigo tomar algumas decisões, mas são ínfimas comparadas ao que terei de enfrentar. Estou completamente conhecendo o desconhecido, embarcando em algo cujo não tenho a mínima ideia de como é. Terça feira de noite parto nesta jornada. Não sei o que encontrar lá, tampouco sei se fico. Mas de uma coisa eu sei: se não der certo, é porque não era para ser. Então eu pego meu banquinho e saio de mansinho!

Enquanto cozinha-se o feijão.

Enquanto procurava o local perfeito para a boa leitura notei que os animais estavam inquietos. As galinhas ciscavam em todos os lugares como se tivessem perdido um pintinho; os patos corriam de uma sombra à outra na tentativa de fugir do sol; os cavalos cavavam a terra como se houvesse algum inimigo ali embaixo; e, o que mais me chamou a atenção, uma vespa que corria (voava) loucamente fazendo círculos e 8 no ar - acho que se perdeu no caminho de casa quando lembrara-se de que havia deixado o feijão no fogo. É verão e quando não há sol há chuva. Mas entenda: ou é muito calor, ou muito entediante. Deveria haver um meio termo entre sol/chuva! o que me lembra quando era criança, meus primos e eu reunidos no natal e festividades em família desenhamos no chão nuvens quando fazia muito calor e sóis quando chovia muito. Sem contar as cantigas: - Sol e chuva: casamento de viúva. Chuva e sol: casamento de espanhol. Sol e chuva... Voltando à minha leitura, delicio-me com bela his...
Sinto falta dos meus hematomas. Não os quero de volta. Mas quando os aceitei, foram-se embora. Era um tipo de beleza peculiar.

Fuja!

É irmão, corres e feche a janela a chuva vem chegando ela entra e os móveis saem cuidado, irmão, ela não tem dó ela vem para acabar com tudo se não cuidar, irmão, ela leva tudo eu rimo tudo com tudo porque não é para ter sentido ela vem sem dó ela vem sem dó