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Breve nota sobre uma quinta-feira.

Um rapaz corria na rua, catou uma pedra e jogou no portão.
Não viu ele a mancha que tinha no asfalto, as pessoas de carro ou os clientes na lanchonete da esquina. A mancha é um cãozinho atropelado há semanas; as pessoas de carro, numa discussão por motivo fútil; os clientes comendo batata frita.
Mas o rapaz não ligou para nada disso, uma vez que sequer os notou, queria ele apenas se livrar do estresse do trabalho, correr sem pensar mesmo - tanto que jogou a pedra - e só parar quando a música no fone acabar.
O rapaz tinha lá seus 20 e poucos anos, trabalhava se segunda à sexta, estudava à noite e jogava bola nos finais de semana. No auge da vida, mal começou ser adulto, não tinha planos concretos para o futuro.

Porém o que importa? O dono da casa qual ele jogou a pedra no portão não apareceu para reclamar e tão pouco isso tinha acontecido, o rapaz já estava há quadras dali.

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