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Pisquei os olhos e quase uma década se passou.

Queria cair em estado profundo de meditação e reflexão sobre a vida (minha).

Na verdade o que aconteceu foi que estava tranquila demais ontem, estava zen, eu precisava refletir e analisar o que estava fazendo até então. Fiz um resumo de minha vida e de minhas caras para um amigo com visão de mudo peculiar, expliquei-lhe o que se passava em meu interior, falei de minhas angústias, medos e opiniões. Joguei-lhe toda a verdade de minha vida na cara, ele me devolveu companheirismo.

Tive fases distintas ao longo de 6 anos (wow, nem havia me tocado que eram 6 anos). Comecei pela rebeldia dos 12, tipicamente pré-adolescente, que responde os pais, grita e bate a porta do quarto; passei aos 13 era normal e apagada, usando e abusando do anonimato que era meu cotidiano até então para fazer o nada que queria; depois fui a garota de 14 a que falava palavrões e se achava A malandra da escola, mas que não chegou nem a pular o muro para matar aula;

Então vieram os 15 com a filha-perfeita, que arrumava a cama ao acordar, mantinha o quarto e o guarda-roupas organizado, comia corretamente as refeições do dia sem extrapolar em nenhuma delas, estudava e fazia os deveres, trabalhava, não namorava e não era viciada em internet - tipicamente vida cor-de-rosa; com 16 eu era trabalhava e respirava filosofia, que me ajudou a fazer novas amizades, abrir a mente ao mundo e aceitar novas teorias sobre o que é viver e estar vivo;

No ano que completei 17 anos mudei para escola particular com nome em minha cidade, visando obter mais conhecimento e me sair melhor no ENEM mas, ao chegar lá, a realidade era outra: os que deveriam ser meus colegas não aceitaram o meu modo de vida e o usavam para me deixar cabisbaixa, até que quando percebo, havia passado 3 meses sem conversar com ninguém na escola (apenas com os funcionários, principalmente com as "tias" da limpeza e da cantina - uns amores de senhoras!). Para ser aceita me submeti ao mau gosto dos colegas de sala, passei a ouvir funk, e então assim comecei participar do que era aquele grupo de pessoas que se intendiam e, com isso, comecei também (infelizmente) usar vocabulário sujo (não que meus pais ouvissem o que eu dizia, nunca).

Quando o ano chega ao fim, olho para trás: não havia muita coisa boa de que se aproveitar dele. Nos estudos não fui bem, tinha mau-comportamento com fundo musical regado de Mc. Catra, relaxei com os cuidados de meu quarto e da casa, aos quais minha querida e saudosa mamãe reclamava muito, já não trabalhava mais, era sustentada pela minha mesada de filha-doméstica-não-muito-caprichosa, não passei nos vestibulares que prestei e o mais desejado dos que queria não fiz (engenharia civil na UFMG de belo horizonte, 20 cand./vaga). Iria passar o ano de 2012 em casa estudando e fazendo cursinho enquanto todos os meus companheiros-vagabundos de sala entravam pra faculdade.

Resolvi então vir para a Bolívia, decisão de última hora. Tomei o ônibus com destino Santa Cruz de la Sierra numa quarta-feira, se não me engano, sem ao menos me despedir de meus queridos familiares e amigos. Não tinha passaporte, muito menos certificado de conclusão do ensino médio (o qual não tenho até hoje porque a escola fechou e seus responsáveis se mudaram todos de Vilhena para Deus sabe aonde).

Ontem foi um dia pacato de minha vida, qual até 22h não sabia o Quê que faltava para se tornar completo. Faltava meditação. Havia lido uma matéria no G1 sobre a lua estar maior e mais brilhante à 00h, mas não a encontrava e, depois de subir ao terraço e achá-la, descobri o que faltava: nos 40 minutos que passei lá em cima cochilando e deixando minha mente vagar na noite maravilhosa, clara, estrelada e enluarada, encontrei o meu desejo escondido.

Percebi que de acordo com a música abaixo postada, já não engulo mais sapos. Sou mais decidida e apesar de confusa às vezes, posso perceber que estou me tornando adulta (à minha maneira). Não vi o pôr-do-sol, mas vi o esplendor do céu e sua magnitude.



Comentários

Índia disse…
Gabi, final de semana passado estava com a Dani e conversamos sobre você. Ela rasgou elogios, mas nem precisava porque apesar da sua fase "rebelde sem causa" mencionada, e pelo que percebi para não ficar isolada de um grupo, você é uma menina fantástica. Falo de coração, mesmo. Você é introspectiva, característica que eu aprecio muito nas pessoas. Você tem uma inteligência rara. A lua tava linda e se eu estivesse em casa podendo apreciá-la, certamente teria feito um reflexão sobre a minha. Acho que tô precisando fazer isso!

Um abraço.

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