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Algo errado.

"Gabi, vc vai ser doutora com menos de trinta, isso é uma honra meu bem.exercite sua segurança"

Deixo uma coisa clara: sou pessimista.
Não sei quando nem onde ao certo comecei pensar assim. 
Eu sempre fui pequenininha e magrinha, com adjetivos adornados de "inha", minha mãe até os 18 anos de idade insiste em me dar a mão ao atravessar a rua e sempre que as pessoas me vêm têm vontade de me proteger. É automático.
Não quero julgá-la ou apontar o dedo e dizer "você me fez isso, isso e isso!", mas mamãe é grande responsável por eu ser como sou hoje. Não sou pessoa de fazer o que quero porque sempre tenho em mente "se eu fizer isso, tal coisa dará errado" e esse pensamento é dedicado à ela. Sim, não pulei muros, não matei aula, não ia brincar na outra rua e não fazia uma infinidade de outras coisas que todas as outras crianças faziam porque ela vivia sempre fazendo chantagem emocional comigo. Me sentia culpada demais pelas coisas que nem tinham acontecido ainda. Eu era do tipo de pessoa que sofria antecipado e sempre sabia que mamãe não me deixaria fazer tal coisa antes mesmo de perguntá-la.
Odeio fazer isso: estou a culpando. Não quero.
Sendo breve: sou pessimista porque algumas coisas ruins aconteceram comigo e outras tantas evitei ficando quietinha em casa. Mas veja meu ponto: eu não espero nada das coisas e de ninguém. Assim, tudo o que recebo é bom. Veja bem, pelo menos não é ruim. Dessa maneira eu me surpreendo com a vida - paro para pensar e me dou conta que coisas maravilhosas aconteceram comigo até então - sem perceber, sem reparar, porque ela simplesmente está ali.

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