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Furto do Paraíso.

Eu estava lá, podia sentir, mas não sabia como reagir. Era uma coisa nova para mim, tanto soube ele mais tarde quanto eu. Sentia suas mãos acariciando minhas costas, sentia sua respiração, seu coração. Mas estava lá somente a ingênua parte de mim e não todo meu ser, porque a partir do momento que pisei os pés fora daquela calçada branca, meu espírito permaneceu límpido e, naquele momento, sentia que nenhuma maldade do mundo poderia me alcançar. Pois sentia segurança em seus braços. E sabia que lá também era meu lugar. Fora este meu ou de outrém não sei, mas que estava feliz vendo o brilho dos teus olhos, estava. Além do que, nada mais importava, aquele instante iria passar, e dele só minhas lembranças iria carregar.
Mas ainda havia aquele olhar, persistia por mais que meu sorriso o vencesse. Poderia me banhar nos líquidos par de olhos que tinham sobre mim pensamentos dos quais desconhecia, e seria reconfortante saber que sobre aqueles olhos estava o menino que conheci. Por debaixo de todo aquele penteado inusitado estaria sempre o menino do qual minha mãe falara, não só dedicado, mas também como pretendente.
E assim soube que por mim tivera algo, não sei, embora mais tarde viesse saber que não só impressão era, mas de falto, algo. Sendo muito ou pouco não importa, números são números e na vida não devem interferir, o ponto é que por mim teve, e nada mais importa.

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